27 de novembro de 2009

Em Tratamento

O médico e seus amigos já haviam dito para parar, com aquela mistura, era apenas uma questão de tempo para que tudo saísse de controle. Não conseguia mais completar seus raciocínios e nem dormia mais a noite, e cada vez que tentava convencer os outros de que estava bem acabava piorando a situação.
Todos pensavam que não tinha mais saída, mas depois de tanta insistência ele resolveu tentar. Não por achar que precisava, mas sim por consideração as pessoas que gostava e insistiam tanto.
Hoje faz uma semana que ele começou a se cuidar. Ainda está oscilando entre um ou outro, mas misturar, ele jura que não vai mais. Ele afirma ser outra pessoa desde que tomou a decisão e se diz curado. Os mais próximos dizem ele está bem melhor mas ainda estão de olho pois tem medo que ele tenha uma recaída, já o médico afirma que o controle será diário e eterno, um preço alto que ele terá que pagar por anos misturando excessivamente amor, ciúmes, posse e obsessão. Uma bomba relógio sempre prestes a explodir, que ele ingenuamente chamava de paixão.

Um comentário:

Felipe A. Carriço disse...

Fiquei alcoolizado de tantos sentimentos.

Ótimo desfecho