24 de novembro de 2009

Da Janela Da Minha Casa

Da janela da minha casa eu via quase tudo
Carros e pessoas passando depressa pela rua
A vizinha distraída andando pela sala nua
Pássaros voando aos montes
Nuvens se perdendo na linha do horizonte
A lua, a chuva, o sol
Solitários fumando na sacada enrolados em lençol

Da janela da minha casa eu via quase tudo
E por muito tempo eu olhei
Tudo que aconteceu eu analisei
Esperava que algo viesse de fora a toda velocidade
Sonhava que esse algo traria junto a minha felicidade
Eu praticamente não dormia
E sonhava mais com este milagre a cada dia

Da janela da minha casa eu via quase tudo
Até que um dia eu a fechei
De tanto olhar para fora, cansei
Parei na frente do espelho e abri o olho devagar
Me assustei quando vi que tinha um estranho a me encarar
A tempos que ele forçava a esse duelo e eu sempre fugia
Mas algo tinha mudado e já não mais o temia

Da janela da minha casa eu via quase tudo
Mas me dei conta de que "quase" não é tudo e sai porta à fora
Sem dor, sem rumo, sem hora
Não sei quantos rostos diferentes já encarei
Não faço idéia de quantos caminhos eu já passei
Agora eu ando pelo mundo todo dia
E a cada passo crio meu próprio milagre com pitadas de alegria

2 comentários:

Eve disse...

eu vou roubar esse poema pra mim!
tem a cara do meu momento! ;)

beijos!

Felipe A. Carriço disse...

Bonito.

Relata o quanto nós não nos conhecemos, e buscamos nos outros uma forma de ir um pouco mais fundo dentro da nossa própria alma.

Talvez, a janela da alma é que precisa ser aberta para arejar o espírito.