16 de setembro de 2009

Questão de Gosto

Parou por um instante.

Nunca tinha pensado nisto, até que ouvira aquela pergunta: "Quem é seu ídolo?"

Pensou mais um pouco e se sentiu estranha com a conclusão que chegou. Será que ela não era normal? Será que ela tinha algum problema?

Não tinha, nunca teve e achava que provavelmente nunca teria um ídolo. Gostava de diversas pessoas, cada uma por um ou mais motivos... inteligencia, talento, beleza, criatividade, e outras infinitas qualidades ou até mesmo defeitos.

Também não tinha um livro, um filme, e tão pouco uma música preferida, simplesmente gostava e não classificava de melhor a pior.

Perguntou-se em silêncio: Como seria possível comparar a sabedoria de Ghandi com a genialidade de Leonardo da Vinci? Como seria possível comparar a leveza dos poemas de Quintana com o peso e a sujeira das palavras de Bukowski? Como seria possível comparar a doce inocência de Amelie Poulain e seu fabuloso destino com a fúria de Vincent Vega em Pulp Fiction? Como seria possível comparar a dor incrustada em um blues com um solo frenético de uma guitarra Floydiana?

Buscou dentro de suas entranhas as respostas para essas perguntas e não encontrou nada. Ficou fascinada pela diversidade existente, pelas sutis diferenças do ser humano e por se dar conta de que gostava das coisas sem idolatrar algo ou alguém.

Hoje, quando lhe fazem qualquer uma destas perguntas que tem que se colocar as pessoas ou as coisas em ordem, sorrindo, ela simplesmente da de ombros e responde: "Sei lá!".

2 comentários:

Felipe A. Carriço disse...

Me identifico com este "sei lá"! Ele é o antídoto para o pecado da idolatria e da ignorância.

Graci Polak disse...

Acabo de adotar o sei lá como resposta para esta pergunta!

=P